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Os “velhos” estão na moda: Por que a experiência voltou a ser o ativo mais valioso das empresas

Por anos, o mercado corporativo viveu uma verdadeira obsessão pela juventude. Executivos e gestores repetiam, quase como um mantra, que a salvação das empresas estava na vitalidade dos mais novos. A lógica parecia simples: jovens são rápidos, nativos digitais, baratos, altamente adaptáveis e supostamente incansáveis. Passou-se a enxergar as novas gerações como um combustível infinito para engrenagens que giravam cada vez mais rápido.

Essa mentalidade transformou os programas de trainee e estágio na vitrine máxima das organizações. Milhões foram (e continuam sendo) investidos para recrutar recém-formados com a promessa de moldar “os líderes do futuro”. Havia uma crença quase mística de que a energia bruta da juventude, se bem canalizada, se transformaria magicamente em liderança sólida. A juventude virou um fetiche organizacional, uma tentativa de comprar velocidade de transformação em lata.

Enquanto a estética da novidade era idolatrada, os profissionais mais experientes (aqueles entre 40 e 60 anos) começaram a ser vistos com ressalvas. Rotulados muitas vezes como caros, lentos ou resistentes a mudanças, os “velhos” passaram a carregar o estigma de que cada ano a mais de vida significava um grau a menos de capacidade de inovação.

O problema é que o ritmo do mundo não vai desacelerar; ele vai acelerar ainda mais. As empresas enfrentarão pressões crescentes de novas tecnologias (como a Inteligência Artificial), crises globais e disrupções constantes. O jogo corporativo está se tornando mais rápido, complexo e implacável.

E é exatamente aí que surge o grande paradoxo atual: quanto mais olhamos para o futuro, mais precisamos do passado.

Muitos jovens talentos, embora dominem ferramentas tecnológicas, ainda não possuem a musculatura emocional para lidar com a escala de atrito do mercado atual. Eles foram treinados para respostas rápidas e recompensas imediatas, mas não para sustentar processos longos, atravessar grandes frustrações ou tomar decisões impopulares. Falta-lhes a consistência que apenas o tempo constrói.

Os dados comprovam esse cenário. Uma pesquisa da PwC aponta que 64% das empresas afirmam não ter líderes preparados para conduzir transformações complexas. Além disso, dados compilados pela Education Week mostram que cerca de 60% dos empregadores consideram que os recém-formados da Geração Z estão despreparados para o mercado de trabalho, com dificuldades em habilidades comportamentais essenciais como comunicação, pensamento crítico e resolução de problemas. O reflexo disso? Quase 40% dos gestores admitem evitar contratar jovens dessa geração, preferindo profissionais acima dos 27 anos.

A energia e o domínio técnico dos mais novos são indispensáveis, mas sem o contrapeso da maturidade, as organizações geram inovação sem sustentabilidade. Em um cenário onde a inteligência artificial automatiza o operacional, a verdadeira vantagem competitiva passa a ser a inteligência adquirida pela experiência de vida.

Os profissionais experientes não são mais o peso do passado; eles são a âncora de estabilidade e sabedoria que garantirá o sucesso das empresas no futuro. Os “velhos” estão de volta, e vieram para ficar.

O mercado mudou. E você, está pronto para liderar essa transformação?

Unir a bagagem prática que você já possui com as competências mais exigidas pelo mercado atual é a fórmula definitiva para se manter indispensável. Se as empresas buscam profissionais experientes e com pensamento crítico apurado, a sua melhor resposta é continuar evoluindo.

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Este texto é uma adaptação do artigo original de Piero Franceschi, publicado no LinkedIn.

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